quinta-feira, 4 de abril de 2024

Parte 2

 Entrou acompanhada. 

Vestia uns jeans justos e uma t-shirt branca, a simplicidade sempre lhe caiu bem.

Tinham passado quase dez anos desde a última vez que nos tínhamos visto. 

 Foi uma conversa "estranha", onde devido a ter o coração demasiado perto do cérebro, nunca soube ler nas entrelinhas que quiçá tinha sido a última. 

Demorei tempo a processar, nunca cheguei a compreender, mas o lado pragmático de quem já passou por muito obrigou a que seguisse em frente, ou quiçá para trás.  Fica sempre a dúvida. 

E ali naquele "fim de mundo", onde apenas procurava perder-me em mil pensamentos na companhia de álcool acabei a reviver o passado.

Continua bonita, talvez mais sensual que bonita, o olhar e a expressão idênticos.  Uma tortura olhar sem relembrar o toque e o fogo daqueles lábios colados aos meus.

Sentaram-se numa mesa atrás de mim. Juro que tentei não olhar, resisti meia dúzia de minutos. 

Acabei por olhar, meio tímido, meio despercebido, totalmente tonto.

E ouvi. 

-  Olá...


quarta-feira, 3 de abril de 2024

Caminhando pelo interior - parte 1

Algures no Portugal profundo...

Era noite cerrada, estava aborrecido, com tudo e com nada.  A vida era uma soma de várias derrotas, uma manta de pensamentos e de decisões muitas vezes erradas.

Pernoitava sozinho numa casa térrea,  isolada, com uma vista sobre a planície que transmitia uma sessão de vastidão e paz. 

Apesar do ambiente eu sentia tudo menos paz de espírito. 

Abri o frigorífico, a cerveja tinha acabado.  

Bolas, erro crasso. A cerveja por vezes pode ser a melhor companhia, silenciosa, boa ouvinte.

Eram 22h. Isolado, sem nada para beber, cérebro a mil à hora.

Tinha de sair, estava frio, vesti um casaco,  entrei no carro.

Carro...um jipe velho, daqueles que já passaram por muito, mas que nunca param...

Arranquei,  rádio na m80, destino o café da aldeia. 

O café aldeia, como todos os cafés das pequenas terras, tinha a fauna diária e noturna.

Eu só conhecia fugazmente a diurna. Mas hoje isso ia mudar. 

4km depois, estacionei à porta.  Objetivo beber uma ou duas Sagres,  regressar e descansar de um dia cansativo. 

Entrei, fumo, rostos de pele curtida, olhares, "o que quer o gajo de fora".

Disse boa noite, pedi uma cerveja, concentrei-me na música que passava no pequeno rádio atrás do balcão. 

Tocava o "oceano pacífico", programa de rádio icónico e que fazia daquele ambiente tudo menos romântico um antro de contradição. 

Alheio às conversas, aos sussurros, bebia, absorto nos meus pensamentos e no que me tinha feito procurar refúgio algures no Alentejo profundo. 

Até que ela entrou...

quinta-feira, 21 de março de 2024

quarta-feira, 13 de março de 2024

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

 Demasiadas horas na estrada podem mexer temporariamente com o nosso gosto musical...

Isso e trabalhar no Seixal.




domingo, 31 de dezembro de 2023

2023

 Ano difícil, ultimamente parece chavão. Um padrão, cada ano é mais estranho que o outro.

A idade traria sapiência, sem acreditei nisso. No meu caso trás resignação.

E a resignação é uma doença, daquelas complexas.

A parte física também muda, a energia baixa, a crença, a reação, a capacidade de adaptação…

2023 foi estranho. 2024 será uma incógnita é igualmente estranho se eu nada fizer para mudar. 


Nada é perfeito, cada decisão, nossa ou de outros, molda a nossa história. Não há decisões certas ou erradas, há opções. Não se pode ter tudo e habituei-me a ser 2 opção…


Bom 2024.